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Banksy triturou o próprio quadro na frente de todo mundo. Três anos depois, ele valia 18 vezes mais.

Warley Soares
Warley Soares
Galerista da QuadrosDecorativos.com · 4 min de leitura
Banksy triturou o próprio quadro na frente de todo mundo. Três anos depois, ele valia 18 vezes mais.

Em 5 de outubro de 2018, o martelo bateu na Sotheby's de Londres. Girl with Balloon, de Banksy, tinha acabado de ser vendida por £1,04 milhão. Um segundo depois, a tela começou a descer sozinha pela moldura e saiu do outro lado em tiras: havia um triturador escondido dentro do quadro, e ninguém na sala sabia.

Parecia o fim daquela obra. Foi o contrário. A peça destruída foi autenticada com um nome novo — Love Is in the Bin — e revendida três anos depois, na mesma casa, por £18,58 milhões. Mais que o triplo da estimativa máxima, e cerca de 18 vezes o que valia inteira. (Sotheby's · ARTnews)

O que subiu de valor ali não foi a tinta

Repare no que aconteceu: a obra perdeu metade de si mesma e multiplicou de preço. Nenhum pigmento foi adicionado. Nenhuma técnica foi refinada. O que entrou no lugar foi história — e a história virou a obra.

É a demonstração mais brutal de uma coisa que o mercado de arte sabe e a decoração finge não saber: o valor de um quadro nunca esteve na superfície dele. Está em quem assinou, no que aquilo conta e na impossibilidade de existir outro igual.

É por isso que pôster nunca vira patrimônio

Um pôster impresso é o oposto exato desse mecanismo. Ele não tem autor — tem um arquivo. Não tem história — tem um catálogo. E não tem escassez nenhuma: o mesmo arquivo está em dez mil paredes, e a décima milésima é idêntica à primeira.

Por isso ele nasce valendo o preço do papel e morre valendo menos. Ninguém herda um pôster. Ninguém conta a história de um pôster numa visita.

A diferença não é de qualidade de impressão. É de natureza: um é reprodução, o outro é obra.

O truque que o mercado de arte usa há um século

Banksy não inventou nada. Ele executou, com um triturador, a mesma jogada que Marcel Duchamp fez em 1917, quando comprou um mictório numa loja de ferragens, assinou com um nome falso e inscreveu num salão de Nova York que se gabava de não ter júri. Recusaram assim mesmo. Ele pediu demissão da diretoria em protesto e virou o artista mais influente do século. (Philadelphia Museum of Art)

Duchamp não pintou o mictório. Ele o assinou. E foi a assinatura, não o objeto, que transformou uma peça de louça sanitária em obra de arte. Cem anos depois, Banksy fez a mesma coisa ao contrário: destruiu o objeto e a assinatura sobreviveu — valendo dezoito vezes mais.

O que uma obra assinada carrega

Toda peça que sai da nossa fábrica leva a assinatura do artista na própria tela e um certificado de autenticidade numerado e registrado. Parece burocracia. Não é — é exatamente o que separa as duas categorias acima.

O Iceberg do Sucesso, de Le Roux, é um bom lugar para ver isso de perto. A composição mostra o que todo mundo vê acima da linha d'água — a palavra sucesso — e, submerso, o que ninguém vê: noites em claro, trabalho duro, autocrítica, persistência, sacrifícios, disciplina, rejeições, dúvidas, riscos, falhas. No canto inferior, a assinatura dele.

Quadro Iceberg do Sucesso, de Le Roux, com a palavra sucesso na ponta e as palavras submersas embaixo da linha d'água
Quadro Iceberg do Sucesso em sala de estar com luminária de piso Quadro Iceberg do Sucesso em escritório com sofá escuro
Iceberg do Sucesso — a assinatura do Le Roux está no canto, na própria tela.

Três assinaturas, três mundos que não se misturam

E aqui está a parte que reprodução nenhuma consegue imitar: cada artista tem um território, e você não confunde um com o outro nem de longe.

O Espartano Dourado, de CRAIG, é o grafite aplicado a um guerreiro de armadura, cercado de palavras escritas à mão em dourado — inovação, coragem, disciplina, força, foco, superação. É ruído no melhor sentido: entra na sala gritando.

Quadro Espartano Dourado, de CRAIG, guerreiro de armadura dourada cercado de palavras em grafite
Espartano Dourado em escritório com poltrona de couro Espartano Dourado em parede de tijolo com poltrona de couro
Espartano Dourado — o grafite do CRAIG aplicado à armadura.

Já o São Miguel Arcanjo Protetor, de Gonzalez, vai para o extremo oposto: arte sacra montada em caixa com profundidade, para ficar sobre a mesa ou o nicho, perto o suficiente de quem passa para ver o detalhe do escudo.

Quadro São Miguel Arcanjo Protetor, de Gonzalez, arte sacra em caixa com profundidade
São Miguel Arcanjo Protetor sobre mesa de escritório com livros São Miguel Arcanjo Protetor em nicho claro
São Miguel Arcanjo Protetor — o sagrado em caixa, para ser visto de perto.

O que isso muda na hora de escolher

Banksy levou o argumento ao absurdo para provar o ponto, mas o ponto vale para uma parede de sala em Belo Horizonte igualzinho: você não está comprando uma imagem, está comprando a decisão de alguém.

Na prática, é o que muda quando a visita pergunta sobre o quadro. Com pôster, a resposta é onde você comprou. Com obra assinada, a resposta é quem fez, o que quis dizer e por que aquilo está ali. Uma encerra a conversa, a outra começa.

E é o que sobra depois. Reprodução envelhece e vira lixo; obra assinada e certificada atravessa mudança de casa, de fase e de geração — continua sendo de alguém, com nome.

Veja abaixo as obras que mais saem da nossa fábrica e encontre a sua.

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