Uma bomba atingiu o refeitório em 1943. A Santa Ceia de Leonardo sobreviveu atrás de sacos de areia

Na noite de 15 de agosto de 1943, em plena Segunda Guerra, um bombardeio aliado atingiu o refeitório do convento de Santa Maria delle Grazie, em Milão. Na parede do fundo estava uma das pinturas mais famosas do mundo: a Santa Ceia de Leonardo da Vinci. A pintura escapou porque estava protegida por uma barreira de sacos de areia, que segurou os estilhaços da bomba (Wikipedia).
Foi a vez em que ela esteve mais perto de desaparecer de uma vez. Mas, na verdade, a Santa Ceia vinha desaparecendo aos poucos havia mais de quatro séculos.
Por que a pintura já nasceu frágil
Leonardo trabalhou na obra de cerca de 1495 a 1498, numa parede de 4,6 metros de altura por 8,8 de largura. Em vez da técnica tradicional do afresco, que exige pintar rápido sobre o reboco ainda úmido, ele usou têmpera sobre uma base de gesso, piche e resina aplicada no reboco seco. Assim podia trabalhar devagar e voltar para corrigir detalhes.
O preço dessa liberdade apareceu logo. Com a umidade do refeitório e o método escolhido, a pintura começou a se deteriorar pouco depois de terminada. Leonardo pintou a cena mais copiada da arte cristã numa superfície que não aguentava o tempo.
Vinte e um anos de restauração
A última grande restauração começou em 1978 e só terminou em 1999, sob o comando da restauradora Pinin Brambilla Barcilon. A pintura voltou a ser exibida em 28 de maio de 1999. Foram mais anos de restauro do que os que o próprio Leonardo levou para pintar.
O que se vê hoje em Milão é o que sobrou de mais de cinco séculos de umidade, guerra e retoques. E, mesmo assim, a composição continua sendo a Santa Ceia que qualquer pessoa reconhece à primeira vista.
A cena que todo mundo reconhece
A força da imagem está na mesa. Jesus no centro, os doze apóstolos divididos dos dois lados, todos de frente para quem olha, no instante em que ele anuncia que um deles vai traí-lo. É uma cena de jantar transformada em drama, e é por isso que ela nunca saiu da parede das casas cristãs, e quase sempre da sala de jantar.
E ninguém está parado. Leonardo pintou a reação de cada apóstolo à notícia: uns recuam, outros se inclinam para perto, outros parecem perguntar "sou eu?". É essa agitação em volta de um Jesus sereno que prende o olho até hoje.
Na galeria, a mesma cena ganhou leituras bem diferentes, de artistas diferentes.
As Santas Ceias da galeria
A mais vendida é a Santa Ceia Strati D'Arte, do artista Gonzalez. Ela chega mais perto da mesa: Jesus e os apóstolos aparecem próximos, em tons de ocre, vinho e dourado, com a toalha branca iluminada no centro e um fundo claro pintado em camadas, como uma parede de igreja antiga.
A Santa Ceia Geométrica, do artista Benoit, faz o contrário: abre a cena em formato panorâmico e desenha tudo em facetas, como um vitral moderno. Os doze apóstolos se alinham ao longo da mesa, Jesus aparece no centro com a auréola dourada, e acima dele brilha uma cruz de luz dentro de um sol vermelho.
A Santa Ceia Grid Art, também do Gonzalez, monta a cena com pequenos quadrados de cor, como um mosaico, e vira a mesa em diagonal, com a luz entrando por janelas em arco. Quem quer a versão mais clássica, com a mesa de frente e duas janelas ao fundo, encontra a Divina Santa Ceia, do Benoit; e quem prefere o traço limpo tem a Santa Ceia da Coleção Minimalista.
Onde pendurar a Santa Ceia
Na sala de jantar, acima do aparador ou do buffet. É o lugar tradicional, e faz sentido: a cena é um jantar. As versões panorâmicas acompanham a linha do móvel; o ideal é que o quadro ocupe cerca de dois terços da largura dele.
Na parede da própria mesa. Se a mesa encosta numa parede livre, a Santa Ceia pode ficar centralizada com ela, como se fosse a continuação da refeição.
Na cozinha integrada. A Grid Art, com seus tons quentes, conversa bem com madeira, cerâmica e bancada de pedra.
Altura. Acima de móvel, deixe de 15 a 25 cm entre o tampo e a moldura. Em parede livre, o centro do quadro perto da altura dos olhos, entre 1,45 m e 1,60 m do chão.
Acabamento. As três saem com moldura de filete preta, moldura Prisma com vidro, moldura interna ou metacrilato. A moldura preta, que aparece nas fotos, dá à cena um ar de pintura de museu.
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