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29 de setembro: três arcanjos, um dia só. E cada um se reconhece pelo objeto na mão

Warley Soares
Warley Soares
Galerista da QuadrosDecorativos.com · 25 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
29 de setembro: três arcanjos, um dia só. E cada um se reconhece pelo objeto na mão

No dia 29 de setembro a Igreja celebra três arcanjos de uma vez: Miguel, Gabriel e Rafael. São os únicos três anjos nomeados na Bíblia, e cada um carrega um ofício diferente (Wikipedia).

Na arte, eles são distinguidos sem nenhuma legenda: cada um vem com o próprio objeto na mão. Quem aprende a ler esses três objetos nunca mais confunde uma imagem com a outra.

Miguel: a espada e o dragão

O nome é uma pergunta — Mi-kha-El, "Quem como Deus?" — e o combate está em Apocalipse 12:7-9. Miguel aparece armado, quase sempre com uma figura derrubada sob os pés. Em algumas obras troca a espada por uma balança, na cena em que pesa as almas.

É o mais representado dos três, e o mais procurado. Onde se quer a ideia de proteção, é a imagem dele que sobe na parede.

Gabriel: o lírio e o anúncio

Gabriel é o mensageiro. É ele quem anuncia a Maria que ela dará à luz, na cena que a pintura ocidental repetiu mais vezes que qualquer outra: a Anunciação.

Por isso o objeto dele é o lírio branco, símbolo de pureza, e às vezes uma trombeta ou um pergaminho. Gabriel quase nunca aparece em pose de combate — ele está sempre chegando, em movimento, com o joelho dobrado ou as asas ainda abertas de quem acabou de pousar.

Rafael: o peixe e o caminho

Rafael é o curador e o companheiro de viagem. No Livro de Tobias, acompanha o jovem Tobias numa jornada e usa o fígado de um peixe para curar a cegueira do pai dele.

Daí os dois objetos que o identificam: o peixe e o cajado de peregrino. É o arcanjo dos que estão a caminho ou em recuperação — e, talvez por isso, o preferido em quarto de convalescença e em casa de quem viaja muito.

Três funções, três lugares diferentes da casa

A tradição separa bem os ofícios, e isso ajuda na hora de escolher. Miguel na entrada, no corredor ou acima da porta: é a figura da guarda. Gabriel onde se dá notícia e se reúne gente — sala, sala de jantar. Rafael no quarto, no consultório, onde se cuida de alguém.

Quem quer os três costuma resolver com um trio — há versões assim entre os quadros religiosos —, e a composição funciona: as figuras têm a mesma altura, a mesma estrutura vertical e objetos diferentes, o que dá ritmo à parede sem repetir.

Por que só esses três têm nome

A Bíblia menciona anjos o tempo todo, mas nomeia apenas Miguel, Gabriel e Rafael. Miguel aparece três vezes no Livro de Daniel, além do Apocalipse e da Epístola de Judas; Gabriel, em Daniel e em Lucas; Rafael, no Livro de Tobias.

Ter nome, na tradição bíblica, é ter missão específica. É por isso que os três atravessaram vinte séculos de arte com objetos fixos na mão: não são figuras decorativas, são cargos.

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